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terça-feira, 2 de agosto de 2016

Guerra das bactérias. O antibiótico natural que se esconde no seu nariz



Microorganismo escondido no nariz pode ser a chave para o combate contra infeções muito resistentes
Micro-organismo estudado deve abrir porta a um novo género de exploração da microflora humana. O futuro dos medicamentos pode estar no nosso corpo
Na mucosa nasal, pode estar guardada a ferramenta de combate ideal contra muitos (cada vez mais) tipos de bactérias resistentes aos antibióticos.
Um grupo de cientistas alemães concluiu que o micro-organismo Staphylococcus lugdunensis, geralmente encontrado no nariz humano, é capaz de funcionar como um antibiótico natural que ataca esse amplo grupo de bactérias resilientes. Segundo anunciam os investigadores na Nature, o futuro da luta contra as infeções pode estar no próprio corpo humano.
"Na próxima década morrerão mais pessoas devido à resistência a antibióticos do que devido ao cancro", sublinha Andreas Peschel, microbiólogo na Universidade de Tubinga, na Alemanha, no El Pais. O abuso dos fármacos que atingem as bactérias patogénicas tem, explica o cientista, provocado uma espécie de "seleção artificial" das estirpes bacterianas mais resistentes.
No último século, o combate, por exemplo, à Staphylococcus aureus (causadora de infeções simples - celulite ou furúnculos - ou mais complexas - pneumonia, meningite, endocardite, entre outras) tem-se tornado cada vez mais complicado.
Os investigadores descobriram, contudo, que os narizes onde o "micro-organismo revolucionário" prolifera são os ambientes mais hostis para a aureus, concluindo, assim, que o primeiro inibe o crescimento da segunda.
A Staphylococcus lugdunensis é ainda capaz de lutar contra a Escherichia coli (potencialmente responsável por graves intoxicações alimentares), a Streptococcus pneumoniae (que pode causar pneumonia, sinusite e meningite) e a Enterococcus faecalis (que pode provocar infeções urinárias, meningite e bacterémia.)
"A ideia de que a microflora humana pode ser também uma fonte de agentes antimicrobióticos é em si mesma uma descoberta", comenta Peschel, deixando, porém, claro que o uso comercial da bactéria em causa ainda demorará algum tempo.

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