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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Futebol MP pede prisão para Neymar e presidente do Barça por fraude em contratação


O Ministério Público da Espanha pediu nesta quarta-feira 2 anos de prisão e multa de 10 milhões de euros para Neymar e 5 anos de detenção para o ex-presidente do Barcelona Sandro Rosell por crimes de corrupção e fraude na contratação do atacante, após acusação feita pelo fundo brasileiro DIS, que possuía 40% dos direitos federativos do jogador.
o documento de acusação, o procurador José Perals, que pediu o arquivamento do caso contra o atual presidente do Barcelona, Josep María Bartomeu, por falta de indícios, cobra além disso 8,4 milhões de euros de multa para o clube espanhol e 7 milhões para o Santos.
As autoridades também pediram dois anos de prisão para o pai de Neymar e um ano para sua mãe, ambos pelo crime de corrupção, além de multa de 10 milhões de euros para cada um e outra de 1,4 milhão de euros para a empresa dos pais, N&N.
Neste caso são investigados crimes de fraude e corrupção por causa de uma denúncia do fundo DIS, que possuía 40% dos direitos federativos do jogador e que se considerou enganado pelo quantia paga pelo Barcelona ao Santos por sua transferência.
Por isso, o procurador pede aos acusados Rosell e Odílio Rodrigues, ex-vicepresidente do Santos; assim como ao Santos e ao Barcelona, como pessoas jurídicas, que indenizem de forma conjunta o fundo DIS em 3,2 milhões de euros em conceito de responsabilidade civil.
Segundo o procurador, "com a intenção de ocultar o custo real do jogador" - depois foi revelado que o valor da contratação tinha ultrapassado 83 milhões de euros -, Rosell, "agindo sempre em representação do FC Barcelona", conversou com Rodrigues e com o pai de Neymar "e projetaram fragmentar o pagamento da contratação do jogador para formalizar uma série de contratos".
A contratação de Neymar aconteceu em dois momentos "diferenciados", segundo a acusação. Em 2011, o Barcelona se comprometeu a pagar ao atacante 40 milhões de euros para que jogasse na equipe catalã a partir de 2014 e lhe deu um antecipação de 10 milhões, "impedindo que outros clubes participassem livremente para a aquisição de seus direitos federativos".
Este acordo se materializou em dois contratos nos quais há participação do Barcelona, sob a representação de Rosell e Bartomeu - que então era vice-presidente do clube - e do próprio jogador, seu pai e a empresa N&N, que pertence aos pais de Neymar.
Os contratos foram assinados em 15 de novembro e em 6 de dezembro de 2011. Através do primeiro, o Barcelona se comprometeu, além de pagar pela transferência 40 milhões, a dar a Neymar um salário de 36,1 milhões em 5 anos, tudo isso para 2014, ano no qual o jogador deixaria de estar vinculado ao Santos e o DIS já não teria os direitos.
No entanto, para conseguir antecipar para 2013 a contratação, Rosell "decidiu dar quantidades superiores" a Neymar que, através "de seu pai e agente", pediu um pagamento maior para se incorporar ao Barça, e também cobrou o Santos "para que recebesse diretamente parte do preço derivado da transferência dos direitos federativos, evitando desta maneira dar ao DIS os 40% correspondentes".
Quando em 2013 foi divulgada a contratação, "o FC Barcelona decidiu manter publicamente que a aquisição do jogador um ano antes do previsto custaria ao clube" os 40 milhões inicialmente pactuados aos quais seria preciso acrescentar 17,1 milhões pela aquisição dos direitos federativos ao Santos, segundo Perals.
O DIS recebeu 40% dessa quantidade, mas "a quantia real da transferência dos direitos federativos" passou de 25,1 milhões, por isso o procurador considera que o fundo deve ser indenizado em 3,2 milhões de euros.
Quanto a Bartomeu, Perals indica que sua mera condição como vice-presidente do clube quando ocorreram os fatos "motivou que assinasse alguns contratos", mas não se pode credenciar "sua participação ativa na negociação".
O juiz responsável pelo caso, José de la Mata, decidiu arquivá-lo porque considerou que as condutas denunciadas - os contratos de transferência do jogador -, apesar de poderem ter "repercussões esportivas, éticas e disciplinares", não se encaixam em um procedimento penal.
O Ministério Público recorreu desta decisão, e por fim a Audiência Nacional ordenou a De la Mata que processasse os investigados como Perals tinha pedido, por observar indícios de crimes de corrupção entre particulares e fraude.

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