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segunda-feira, 26 de março de 2018

No Pará, mulher é maioria no setor informal, no comércio e nos serviços

Evento da Fundacentro/PA aborda realidade da mulher trabalhadora paraense

Por ACS/ Cristiane Reimberg em 21/03/2018
Encerramento do Seminário Alusivo ao Dia da Mulher
Um panorama da participação da mulher no mercado de trabalho no estado do Pará foi traçado em 7 e 8 de março no Seminário Alusivo ao Dia Internacional da Mulher, realizado pela unidade da Fundacentro em Belém/PA. Os palestrantes também refletiram sobre os desafios locais para a prevenção de acidentes de trabalho e abordaram algumas realidades específicas de trabalhadoras – os acidentes com escalpelamento, o trabalho das operadoras de caixa de supermercado e o trabalho da mulher na construção civil.

A taxa de desocupação para a mulher é quase duas vezes maior que a do homem. No setor informal, as mulheres possuem maior participação. Já o rendimento da mulher é menor do que o do homem, apesar de elas apresentarem maior nível de escolaridade. As informações fazem parte do “Relatório especial: mulher no mercado de trabalho”, do Observatório Paraense do Mercado de Trabalho – Opamet.
Os economistas José Raimundo Trindade e Luciana Sousa, organizadores do relatório com Márcio Borges, estiveram no seminário da Fundacentro/PA para, juntamente com a diretora de Comunicação Social do Sindicato dos Bancários e Bancárias do Estado do Pará, Tatiana Oliveira, abordar a participação da mulher no mercado de trabalho no estado.
“Verifica-se que os setores da indústria, construção civil e agropecuária são predominantemente ocupados pelo sexo masculino, com 81,4%, 90,9% e 90% respectivamente, e os setores que apresentaram uma quantidade de vínculos do sexo feminino foram os setores do comércio e de serviços, com 41% e 50,8% respectivamente”, afirma o relatório do Opamet, que é coordenado por José Raimundo Trindade.
O relatório destaca que, entre 2005 e 2015, a mulher sempre apresenta menor nível de ocupação, com taxa inicial de 90% (2005) e final 89% (2015) no caso do Pará, e taxa inicial de 84% (2005) e final de aproximadamente 82% (2015) para a Região Metropolitana de Belém - RMB. A jornada semanal de trabalho é maior para eles, quando não se considera o trabalho doméstico. Eles ainda apresentam maior rotatividade do que elas, o que pode ser justificado pela maior presença deles no mercado formal.
“Um ponto interessante de ser observado é a introdução das mulheres no mercado de trabalho, que se originou nas indústrias, como operárias de baixo custo, mas que ao longo do tempo se afastaram cada vez mais desse setor; e atualmente no Brasil apresentam mais participação no setor de comércio e serviços (destaque para o serviço doméstico também) do que os homens, sobretudo no Pará”, conclui o documento.
Os autores apontam ainda a existência da precariedade no trabalho para ambos os sexos, pautada em relações vulneráveis e no aumento da flexibilidade nas relações trabalhistas. Nesse cenário, o impacto é maior para elas, por ocuparem postos mais precários e terem salários menores do que o recebido pelos homens. Uma das saídas seria “a criação de políticas de emprego duradouras com o objetivo de oportunizar a força de trabalho feminina, condições de construção de vínculos duradouros e estáveis em seus postos de trabalho”.

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