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segunda-feira, 20 de março de 2017

Países restringem importação de carne do Brasil após Carne Fraca

As consequências da Operação Carne Fraca já chegaram à comercialização do produto. Desde que a investigação foi deflagrada, na sexta-feira, China, Coreia do Sul, Chile e União Europeia anunciaram que devem barrar importações do Brasil.
No caso da China, os embarques programados para lá foram suspensos por uma semana. Segundo o jornal O Globo, o país asiático solicitou informações sobre a operação e até receber isso não desembarcará as carnes retidas.
A Coreia do Sul bloqueou apenas os embarques de frango da BRF, mas a empresa avisa que não recebeu notificação oficial sobre o assunto (leia a nota ao fim deste texto).
As informações de restrições foram confirmadas nesta segunda-feira pelo Ministério da Agricultura. Na tentativa de acalmar o mercado nacional e internacional, o órgão vai criar uma força-tarefa para investigar suspeitas de irregularidades nos frigoríficos alvos da operação. O anúncio foi feito neste domingo, durante uma coletiva de imprensa, dois dias depois de virem à tona as denúncias de fraude na carne brasileira.
Na abertura de uma reunião com cerca de 40 representantes de países importadores de carne brasileira, o presidente Michel Temer prometeu maior rigor na fiscalização dos frigoríficos do país. Temer ressaltou que problemas descobertos pela PF são pontuais, que a carne produzida e exportada pelo país é de qualidade. O governo determinou celeridade nas auditorias que serão feitas nos estabelecimentos envolvidos no esquema criminoso.
Na coletiva, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse que a pasta está fazendo os levantamentos necessários para ter informações mais precisas e tranquilizar brasileiros e consumidores de outro países de que os problemas apontados pela Operação Carne Fraca não são generalizados.
— Temos um sistema muito forte, robusto e reconhecido no mercado internacional. Ao chegar aos países de destino, todas as mercadorias são novamente fiscalizadas —, afirmou.
De acordo com o ministro, o sistema não é infalível porque é composto por pessoas. Ele ressaltou que das 4.837 unidades de abate animal, apenas 21 estão sob suspeita, das quais três foram interditadas preventivamente e as outras estão em um regime especial de fiscalização.
— Isso significa que qualquer expedição dessas plantas só sairá com a presença de fiscais do Ministério da Agricultura.
Ele ressaltou que o governo está priorizando a transparência. Segundo Maggi, as associações pediram rapidez nas punições.
— Ninguém quer passar a mão na cabeça de quem fez coisa errada —, completou.
Confira, na íntegra, a nota da BRF:
Diferentemente do que vem sendo noticiado, a BRF informa que não recebeu nenhuma notificação oficial das autoridades brasileiras ou estrangeiras a respeito da suspensão de suas fábricas por países com os quais mantém relações comerciais, incluindo Coreia do Sul e União Europeia.

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