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sábado, 3 de setembro de 2016

Indústria registra quinto mês de alta

Ritmo do setor cresce 0,1% em julho sobre junho, mas no ano queda ainda é de 8,7%. Analistas adotam cautela e evitam apostar na retomada
Cristina Horta/EM/D.A Press - 29/3/16

São Paulo – A produção industrial brasileira teve sua quinta alta mensal consecutiva em julho, algo que não acontecia desde 2012, mas ainda assim a recuperação é tímida, segundo apontam analistas. A produção industrial subiu 0,1% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal, segundo informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que também revisou a produção de junho de 1,1% para 1,3%. Em relação a julho de 2015, a produção caiu 6,6%, na 28ª queda consecutiva. No ano, mesmo com os cinco ganhos mensais consecutivos, a queda acumulada ainda é de 8,7%. Em 12 meses, o recuo é de 9,6%. Segundo o Banco Fator, a produção do setor está 18,2% abaixo do nível recorde atingindo em junho de 2013.
Saiba maisSegundo o instituto, 11 dos 24 ramos pesquisados apontaram taxas positivas, com destaque para o avanço de 2% registrado nos produtos alimentícios, após dois meses consecutivos de queda, com uma perda acumulada de 6,4% nesse período. Outras contribuições positivas de destaque foram o crescimento da produção de indústrias extrativas (1,6%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (5,8%), da metalurgia (1,6%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (0,4%) e de produtos de borracha e de material plástico (1,3%).
Entre os 13 ramos que reduziram a produção no mês, os desempenhos de maior relevância vieram de perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (-2,8%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-7,3%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-1,7%), artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (-6,0%), produtos do fumo (-15,1%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-2,4%) e outros produtos químicos (-3,2%). Todas essas atividades haviam apontado taxas positivas em junho.
A produção da indústria de bens de capital caiu 2,7% em julho ante junho. Na comparação com julho de 2015, o indicador mostra queda de 11,9%. No acumulado de 2016, houve queda de 18,5% na produção de bens de capital. Em 12 meses, o resultado é de retração de 24,7%. Em relação aos bens de consumo, a pesquisa registrou queda de 1% na passagem de junho para julho. Na comparação com julho de 2015, houve recuo de 8,3%. No acumulado do ano, a queda é de 6,9%, enquanto a taxa em 12 meses é de recuo de 8,6%.
Estoques A economista da CM Capital Markets Jéssica Strasburg aponta que os setores farmacêutico e de veículos puxaram para baixo a produção industrial de julho, o que explica a diferença do resultado em relação à sua projeção, que era de alta de 0,5%. Mesmo assim, ela afirma que a confiança da indústria continua subindo e que a produção deve seguir melhorando nos próximos meses. “Para quem vinha de uma sequência tão ruim de baixa, uma alta de 0,1% pode ser comemorada. A indústria acumula cinco meses consecutivos de ganhos”, argumenta. A analista indica que, entre as categorias, apenas bens intermediários subiu na margem (+1,6%), enquanto bens de consumo recuou 1%, com baixa de 1,9% em não duráveis e alta de 3,3% em duráveis. Já a produção de bens de capital teve retração. “Investimento de fato não está acontecendo”, admite.
O economista-sênior do Haitong, Flávio Serrano, indica que o avanço em bens intermediários foi puxado por segmentos como metalurgia, derivados de petróleo, óptico e produtos de borracha e plástico, o que retrata uma demanda de insumos mais forte da própria indústria. “Em linhas gerais, a dinâmica industrial do segundo trimestre mostrou recuperação com recomposição de estoques e julho, mesmo de lado, aponta para possível uma recuperação (da economia) no terceiro trimestre”, diz.
Com uma visão menos otimista, o economista-chefe da consultoria Lopes Filho & Associados, Julio Hegedus Netto, afirma que a recente melhora na indústria vem mais de um ajuste de estoque do que de um aumento na capacidade produtiva. “O que chama atenção é que a produção de bens de capital está recuando muito, com contração de 11,9% na comparação interanual. Não temos uma verdadeira retomada na indústria, porque por enquanto está se usando a capacidade instalada já existente”, aponta.

Varejo
Após ter chegado ao fim do poço, o varejo deve iniciar um processo de retomada até o fim do ano. Pelo menos é o que esperam os empresários do setor. De acordo com pesquisa realizada em parceria pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), 48% dos varejistas acreditam que o segundo semestre será melhor em termos de vendas e receitas do que a primeira metade do ano. O entusiasmo dos empresários é superior em relação ao início do ano. Em janeiro, 39,5% dos empresários consultados acreditavam que o primeiro semestre seria melhor que os últimos seis meses de 2015.

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