A taxa de desocupação no país
fechou o mês de dezembro em 6,9%, a maior já registrada para um mês de
dezembro desde 2007, quando o desemprego atingiu 7,4% da população
economicamente ativa. A informação foi divulgada hoje (28) pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os dados
fazem parte da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que está sendo
divulgada pela última vez pelo IBGE, pois o indicador será substituído
pela Pnad Contínua, que é mais abrangente e já vem sendo divulgada pelo
instituto.
Com a variação de dezembro, a taxa média de desocupação
de janeiro a dezembro foi estimada em 6,8% em 2015 e em 4,8% em 2014.
Segundo o IBGE, a elevação de 2 pontos percentuais entre um ano e outro
foi a maior de toda a série anual da pesquisa, e também interrompeu a
trajetória de queda do desemprego que ocorria desde 2010.
O IBGE
ressalta, porém, que no confronto com o início da série em 2003, quando a
taxa foi 12,3%, houve queda de 5,5 pontos percentuais.
Média anual
Em
2015, a média anual da população desocupada foi estimada em 1,7 milhão,
contingente 42,5% superior à média de 2014 (1,2 milhão de pessoas).
“Além de ser o maior crescimento anual da série, a elevação em 2015
interrompeu a trajetória de redução dessa população, iniciada em 2010”,
informa o IBGE. Contudo, em relação a 2003 (2,7 milhões), o contingente
de desocupados caiu 35,5%. Nesse período, a redução foi de 940 mil
desempregados.
A média anual da população ocupada em 2015 foi
estimada em 23,3 milhões de pessoas, recuando 1,6% em relação a 2014,
quando o contingente era de 23,7 milhões pessoas. Em 2014, essa
população havia retraído pela primeira vez (-0,1%) em toda a série
anual, acentuando a queda em 2015.
Carteira assinada
A
PME indica que o percentual médio de trabalhadores com carteira
assinada no setor privado, em relação à população ocupada, passou de
50,9% (12,1 milhões) em 2014 para 50,3% (11,7 milhões) em 2015.
De
2014 para 2015, houve redução de 2,7% (329 mil pessoas a menos) no
contingente de trabalhadores com carteira assinada, registrando a
primeira queda anual em toda a série. No ano de 2003, a proporção era de
39,7% (7,5 milhões). Portanto, em 13 anos, o contingente dos
trabalhadores com carteira assinada expandiu 57,1% (4,3 milhões de
pessoas a mais).
A PME indica, ainda, que em 2015, após dez anos
de ganhos anuais sucessivos, a média anual do rendimento real da
população ocupada, de R$ 2.265,09, registrou perda de 3,7% em relação a
2014, a primeira queda desde 2005. Todas as regiões tiveram perda, com
destaque para Belo Horizonte (-4,6%), Rio de Janeiro (-4,0%) e São Paulo
(-4,0%). Na comparação dos números de 2015 com 2003, houve aumento de
28,4% no rendimento de trabalho da população ocupada, o que representou
um ganho de cerca de R$ 501,25.
Comportamento semelhante pode ser
observado na média anual da massa de rendimento real mensal habitual. Em
2015 foi estimada em R$ 53,6 bilhões, apresentando a primeira retração
anual na série (-5,3%). Na comparação com 2003, entretanto, houve também
aumento considerável: de 59,2%.
Serviços domésticos
O
único setor da economia a apresentar crescimento no contingente de
trabalhadores ocupados foi o de serviços domésticos. Segundo a Pesquisa
Mensal de Emprego, a população ligada à atividade de serviços domésticos
apresentou crescimento de 1,5%, entre 2014 e 2015, revertendo a
trajetória de redução iniciada em 2010. Todos os demais grupamentos
tiveram redução, sendo as principais quedas observadas na indústria
(-5,5%) e na construção (-3,6%).
De uma maneira geral, o nível da
ocupação (proporção entre a população ocupada e a população em idade
ativa) alcançou média de 51,9% em 2015, caindo 1,4 ponto percentual em
relação a 2014 (53,3%). Essa foi a maior queda anual do indicador, que
pode ser explicada pela redução da ocupação em 2015. Na comparação com
2003, quando esse indicador era de 50%, houve expansão de 1,9 ponto
percentual.
Já o nível da ocupação das mulheres (44,3%) continua
inferior ao dos homens (61%), mesmo mostrando maior aumento em relação a
2003: 0,1 ponto percentual (homens) e 3,8 pontos percentuais
(mulheres). Em relação ao nível de ocupação dos jovens de 18 a 24 anos
de idade, a proporção passou de 57,3% em 2014 para 53,8% em 2015 – queda
de 3,5 pontos percentuais, o que levou o nível de ocupação entre os
jovens a voltar ao mesmo valor observado em 2003.
Pretos e pardos
Os
dados da Pesquisa Mensal de Emprego também mostra que persistem as
disparidades entre os rendimentos das pessoas pretas e pardas em relação
às brancas e também entre homens e mulheres.
Embora a pesquisa
tenha mostrado que de 2003 a 2015, o rendimento dos trabalhadores de cor
preta ou parda cresceu 52,6%, enquanto o rendimento dos trabalhadores
de cor branca cresceu 25%, esse expressivo crescimento em 13 anos, não
foi suficiente para reverter o quadro da desigualdade racial.
Os
trabalhadores ocupados de cor preta ou parda ganhavam, em média, em
2015, 59,2% do rendimento recebido pelos trabalhadores de cor branca. O
IBGE destacou, porém, o fato de que, em 2003, o percentaul não chegava à
metade (48,4%).
No que diz respeito ao sexo feminino, o
levantamento do IBGE indica que, em 2015, em média, as mulheres ganhavam
em torno de 75,4% do rendimento recebido pelos homens, o que, no
entanto, representou uma expansão de 1,2 ponto percentual frente a 2014
(74,2%). A menor percentual foi registrado em 2007 (70,5%).
Escolaridade
Os
dados da PME indicaram, ainda, que em 2015, 22% das pessoas ocupadas
tinham ensino superior completo. A proporção de pessoas ocupadas com 11
anos ou mais de estudo cresceu, de 2003 para 2015, de 46,7% para 66,5%,
um aumento de 19,8 ponto percentual, acima do aumento verificado na
população total de 10 anos ou mais, que foi de 16,7 ponto percentual.
Aumentou também a proporção de trabalhadores com o ensino superior
completo: em 2003 eles representavam 13,8%, já em 2015 esta estimativa
ultrapassou um quinto dos ocupados (22%).
A Pesquisa Mensal de
Emprego (PME) é realizada pelo IBGE nas regiões metropolitanas do
Recife, de Salvador, Belo Horizonte, do Rio de Janeiro, de São Paulo e
Porto Alegre. Esta é a última vez que a pesquisa é divulgada. A partir
de agora, a taxa de desocupação do país será medida pela Pesquisa
nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) – mais abrangente que
a PME por envolver número muito maior de cidade e regiões metropolitana